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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Como Viu




Na cidade flores e dores se confundem
São Paulo amor e ódio
De perto, no concreto a expressão é de dor
De perto, no concreto a expressão é de amor

Amou a cidade e a adornou
Explodiu com Maria e no concreto jogou
Quem passou amou
Quem passou odiou

O que passou apaixonado viu flores
O que passou de malquerença um espelho fitou
Amor e ódio na cidade
Explosão a flor da pele do cidadão





sexta-feira, 4 de maio de 2012

Todo O Grito

Acrílica sobre papel.
Tikka - flickr.com/photos/tikka_noturnas




Queria voltar a ser criança
queria voltar não só pela inocência,
mas também pela falta de compromissos,
mas também pelos poucos anos.


Todos sofrem, uns antes, outros depois
os que querem ter maioridade, com a maioridade
os que como eu que não querem ver os anos passarem
e não têm esse poder, e os que nada vêem, para eles nada importa.


Um dia diz à outro dia:
- Me vou e nunca mais voltarei,
o outro dia comenta; - Um dia seremos todos um,
um só passado que não voltará mais.


Em qual fração é essa conversa
em qual fração é a vida
envelheço na cidade
presente, passado e futuro.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Cidadão

E então tudo se formou ali mesmo, quando estava à fotografar os painéis do MAAU-SP.

Percebia que cada foto, cada fechada aos poucos ia contando parte de uma história. Alguém em um duplo apuro me chamava muito à atenção.

Não pude falar com o autor, eu estava ali dia e noite percorrendo os 1,6 Km do museu, mas como um ninja o artista Onesto compôs esse duplo painel e nunca o via. Cada vez que passava via uma diferença, mas nuca conseguia vê-lo em ação.

Na mesa, agora só precisava de uma batida, quando lembrei de algo muito poderoso que já tinha ouvido e então achei esse algo poderoso mais próximo ainda em "remix". "Requiem For A Dream Hip Hop Remix" fechou.

Posso juntar tudo, sincronizar, respeitar, vibrar...
...agora posso dormir.



domingo, 20 de novembro de 2011

Clubão

Cranio http://www.flickr.com/photos/cranioartes


Preciso da tua arte
me deixa entrar pela porta da frente.
Contemplarei os teus muros
não falarei do que for diferente.

O que alguns nas ruas olham com assombro
nas tuas paredes estão em descanso.
Não livres do sol, não livres da chuva,
mas longe daqueles que usam massas cinzentas.

Ah que bom seria,
se todos a massa cinzenta criativamente usassem.
Ah, que bom seria,
se soubessem o segredo da mistura.

Oh senhora guardiã dos muros
e de tudo que eles guardam nesse lugar
deixa eu entrar pelas portas da frente
e revelar a muitos alguns dos teus segredos.

Oh senhora que não me deixa por outros interesses.
Oh senhora que tem medo do que eu possa ver,
me deixa entrar pela porta da frente e navegar pelos teus muros,
prometo só falar daquilo que ví, só dos teus muros.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Escolha


Graphis http://www.flickr.com/photos/graphis_/













Ele escolhe um time com os piores da rua e para si chama a responsa, veste a camisa 8 e dá a dez para o seu melhor amigo.

O dono da bola não gosta dele, mas para este ele nada fez.
Os invejosos fazem as fracas cabeças, é só o dono da bola que não consegue ver isso.
O que ele vê somente é o que os outros dizem a respeito dele.

O menino bom de bola escolhe o time mais fraco e nesse mostra a sua força.
Seus adversários ficam envergonhados, o dono da bola não consegue perceber essas coisas.
Não consegue perceber nem o fato de que não joga nada, mas é feliz por causa daquele menino.

O menino bom de bola faz um passe para o dono da bola. O dono da bola perde o gol. Outro passe, outra bola perdida.
Depois de driblar três e por último o goleiro, abre mão da sua pintura e mais uma vez faz o passe.

O gerentaço do campo mais uma vez cambaleia, chuta para fora. Xinga.

- Ninguém gosta desse menino!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Jornal


MAAU-SP Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo
Obras em destaque: 1° plano artista Anjo, 2° plano Graphis.

Não espere morrer
para contar a história de um grande artista hoje.
Não espere-o sumir
para o emblemar num jornal.

A cicatriz anuncia a ferida,
mas o corte profundo
expressa no momento
o sucumbir do cal.

Não existe um poema,
não existe um dilema, que jamais foi xingado.
Não existe um spray,
não existe um latex, que nunca fora rejeitado.

Um futuro de glória
um passado sofrido
um presente apagado.
Um tablóide que brilha
um passado pendente
um presente amassado.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tudo ao Meio


Passa trem, passa trem
e leva toda a tristeza.
Passa o trem, passa o trem
e leva toda a pobreza.


A cidade passa por cima
de um homem velho, de uma mulher e uma menina.
Milhões e milhões na vertente,
mas lá em baixo nem se imagina.

Tudo acontece no asfalto
quando alguém tenta levar para o alto
uma cidade cinza e de concreto
mas quem está no andar mais debaixo te acusa de incauto.

Passa trem, passa trem.
Finge que leva toda a minha escassez.
Passa o trem, passa o trem.
Finge que leva a minha nudez.

Passa hoje, passa amanhã...
...passa no dia da minha chegada.
Passa por cima do que no meio ficou.
Vê se passa na madrugada.






Percebi um paralelo entre o "meio graffiti" e a "meia vida" das pessoas que dividem esse espaço.

Texto de minha autoria, música de Oswaldo Cusco, graffiti de Binho, Chivitz, Minhau, Nove, Presto, Ricardo AKN, Zezão entre Outros.









sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Cidade Cinza

Faz tempo que fraguei esse momento, foi antes do SOPA DE LETRAS - ZN LOVERS - RE EDIÇÃO e não tinha vontade alguma de postar esse crime. Sim isso é crime de verdade não o que estavam fazendo esses artistas: http://graffitibrazil.wordpress.com/2011/04/12/11-grafiteiros-detidos-em-sp-devem-responder-por-crime-ambiental/.




É triste demais ver alguém usar o nosso dinheiro para nos oferecer "A Cidade Cinza". O cinza com todo o respeito à todas as cores não pode ser a cara de São Paulo. Já não bastasse o "Sê oh! Dois" (isso é uma outra história) oferecido pelos nossos veículos.



    (Amo esse graffiti)






Na mesma avenida da ZN, uma estação abaixo, após essa tragédia os artistas Locones, Minhau e Chivitz grafitaram algo que interte qualquer pessoa que passa e com certeza descontrai qualquer motorista preso a um trânsito. Um convite para sorrir.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Oficina de Graffiti

Nesse final de semana na Biblioteca do Estado:

Graffiti


A história do hip-hop por meio de uma de suas linguagens mais expressivas: o graffiti. Com o arte-educador e grafiteiro Otito (Família 2000).

Sábados, 9 e 16 de Abril das 11h às 14h
Domingos, 10 e 17 de Abril das 11h às 14h

Parque da Juventude, Av. Cruzeiro do Sul, 2630, Metrô Carandiru
Tel.: (11) 2089.0800







Sê forte e corajoso: