sexta-feira, 23 de março de 2012

Cidadão

E então tudo se formou ali mesmo, quando estava à fotografar os painéis do MAAU-SP.

Percebia que cada foto, cada fechada aos poucos ia contando parte de uma história. Alguém em um duplo apuro me chamava muito à atenção.

Não pude falar com o autor, eu estava ali dia e noite percorrendo os 1,6 Km do museu, mas como um ninja o artista Onesto compôs esse duplo painel e nunca o via. Cada vez que passava via uma diferença, mas nuca conseguia vê-lo em ação.

Na mesa, agora só precisava de uma batida, quando lembrei de algo muito poderoso que já tinha ouvido e então achei esse algo poderoso mais próximo ainda em "remix". "Requiem For A Dream Hip Hop Remix" fechou.

Posso juntar tudo, sincronizar, respeitar, vibrar...
...agora posso dormir.



quarta-feira, 21 de março de 2012

De Nobre Família


Um grande amor, um grande amor de verdade
muda e atinge tudo o que está ao redor
pedras são atiradas longe
e depois muros têm que ser reconstruídos.


Assim como não se pode disparar
um foguete de dentro de uma cidade
um grande amor deve-se ser levado
para o campo.


Se o meu futuro soubesse
ele teria me avisado
Se o meu futuro soubesse
ele teria me avisado


Nem que por uma vez
nem que seja com todas as moedas contadas
ou quando se vê que em poucos dias se
cumprirá aquelas últimas palavras que o sacerdote falou.


Eternidade no campo, com a pessoa
que se ama muito,
é o que toda a mulher precisa
eternidade no campo...


Se o meu futuro soubesse
ele teria me avisado
Se o meu futuro soubesse
ele teria me avisado.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Prestes



Alguém em certo lugar
falou que a chuva inspira
e que os pingos no telhado
são a voz da transformação.

Em tudo que se perde
a reação é de falar
e se as muitas águas me privam
aldemenos a minha mente tem que sair.

Ela é livre
a chuva não pode pará-la
se eu for de corpo e alma na chuva
o meu corpo sentirá frio, mas a minha alma não.

Não há mal que dure para sempre
mas quem falou que a chuva é má?
Os pingos no telhado são a voz da transformação
e nesse quicado encontro respostas
e assim como as águas descem para depois subir
paro, penso, agora posso me molhar.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Primeiro Vagão

Já passada a eternidade
também a eternidade da eternidade
e assim como combinamos
eu estarei lá no primeiro vagão.

Naquele dia
o primeiro para você
era o último para mim
horas e horas de espera
cada um em uma órbita
até que todas as nossas chances chegaram ao fim.

O cedo despertar revela um querer
o desencontrar uma ação à dois
a ponta de um trem um adianto de uma saída
e o reencontrar uma dádiva de Deus.

E eu sempre estarei lá no primeiro vagão...
...não foi o que combinamos?

A vigem segue,
aquele trem que nos enganou está de castigo
norte e sul, sul e norte
e nós dois atados, longe, cada vez mais ao sul...

Mas a esfera, como a forte correnteza, tange diferente
parece que tudo ajuda para que o sul acabe
então asas da liberdade mostram outro caminho
e eu pego essas asas.

Você finge que não vê
acha que pode esquecer e que é capaz de suportar
suporta tanto, tanto, tanto que não lembra que prometi
que estarei sempre lá, no primeiro vagão.



domingo, 20 de novembro de 2011

Clubão

Cranio http://www.flickr.com/photos/cranioartes


Preciso da tua arte
me deixa entrar pela porta da frente.
Contemplarei os teus muros
não falarei do que for diferente.

O que alguns nas ruas olham com assombro
nas tuas paredes estão em descanso.
Não livres do sol, não livres da chuva,
mas longe daqueles que usam massas cinzentas.

Ah que bom seria,
se todos a massa cinzenta criativamente usassem.
Ah, que bom seria,
se soubessem o segredo da mistura.

Oh senhora guardiã dos muros
e de tudo que eles guardam nesse lugar
deixa eu entrar pelas portas da frente
e revelar a muitos alguns dos teus segredos.

Oh senhora que não me deixa por outros interesses.
Oh senhora que tem medo do que eu possa ver,
me deixa entrar pela porta da frente e navegar pelos teus muros,
prometo só falar daquilo que ví, só dos teus muros.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Escolha


Graphis http://www.flickr.com/photos/graphis_/













Ele escolhe um time com os piores da rua e para si chama a responsa, veste a camisa 8 e dá a dez para o seu melhor amigo.

O dono da bola não gosta dele, mas para este ele nada fez.
Os invejosos fazem as fracas cabeças, é só o dono da bola que não consegue ver isso.
O que ele vê somente é o que os outros dizem a respeito dele.

O menino bom de bola escolhe o time mais fraco e nesse mostra a sua força.
Seus adversários ficam envergonhados, o dono da bola não consegue perceber essas coisas.
Não consegue perceber nem o fato de que não joga nada, mas é feliz por causa daquele menino.

O menino bom de bola faz um passe para o dono da bola. O dono da bola perde o gol. Outro passe, outra bola perdida.
Depois de driblar três e por último o goleiro, abre mão da sua pintura e mais uma vez faz o passe.

O gerentaço do campo mais uma vez cambaleia, chuta para fora. Xinga.

- Ninguém gosta desse menino!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Jornal


MAAU-SP Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo
Obras em destaque: 1° plano artista Anjo, 2° plano Graphis.

Não espere morrer
para contar a história de um grande artista hoje.
Não espere-o sumir
para o emblemar num jornal.

A cicatriz anuncia a ferida,
mas o corte profundo
expressa no momento
o sucumbir do cal.

Não existe um poema,
não existe um dilema, que jamais foi xingado.
Não existe um spray,
não existe um latex, que nunca fora rejeitado.

Um futuro de glória
um passado sofrido
um presente apagado.
Um tablóide que brilha
um passado pendente
um presente amassado.