segunda-feira, 18 de março de 2019

As novas confissões de um assassino econômico
















As atividades humanas são determinadas pelo processo de alterar percepções da realidade.

por John Perkins


(traduzido de um texto originalmente publicado em Evonomics)


Meu sucesso como principal economista numa grande firma internacional de consultoria não se deve a lições que apreendi na faculdade. Tampouco se deve à competência de minha equipe de econometristas brilhantes e magos financeiros.

Estas coisa podem ter, por vezes, ajudado. Mas há algo mais que fez isto acontecer. Este algo mais é o mesmo que  alçou George Washington, Henry Ford, Mahatma Gandhi, Madre Teresa, Martin Luther King Jr., Steve Jobs e outros ao auge de seu sucesso.

Este algo mais é disponível para todos nós.

É a habilidade de alterar a realidade objetiva mudando a realidade percebida, o que podemos chamar de Ponte Perceptiva.


                               Realidade Percebida

                     /                                          \


Realidade Objetiva 1            —>         Realidade Objetiva 2



Como descrevi em meu livro As Novas Confissões de um Assassino de Aluguel Econômico, meu trabalho era convencer chefes de estado de países com recursos que nossa empresa cobiçava (tal como petróleo) a aceitar enormes empréstimos do Banco Mundial e suas corporações irmãs. O combinado era que esses empréstimos fossem usados para contratar nossas empresas de engenharia e construção, tais como Bechtel, Halliburton e Stone & Webster, para construir plantas elétricas, portos, aeroportos, estradas e outros projetos de infra-estrutura que trariam grandes lucros para estas empresas e também beneficiariam algumas famílias ricas de cada país (aquelas que possuíam as indústrias e estabelecimentos comerciais). Todos os demais no países sofreriam por que fundos eram redirecionados da educação, saúde e outros serviços sociais para pagar os juros sobre os empréstimos. Ao final, quando o país não pudesse mais amortizar o principal, voltaríamos e, com a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), "reestruturaríamos" os empréstimos. Isto incluía demandas para que cada país vendesse seus recursos a preços baratos para nossas empresas, com o mínimo de regulamentação ambiental e social, e que privatizasse suas empresas de serviços e outros benefícios sociais oferecendo-os a nossas empresas por preços reduzidos.

Era uma estratégia de usar a realidade percebida para alterar a realidade objetiva. Nestes casos, a Realidade Objetiva 1 era que os países tinham recursos. A Realidade Percebida era que o uso destes recursos como colaterais aos empréstimos para financiar a construção de projetos de infraestrutura traria crescimento econômico e prosperidade para todos os cidadãos. A Realidade Objetiva 2, entretanto, era que crescimento econômico ocorria apenas entre os muito ricos. Uma vez que estatísticas econômicas (GDP) nesses países se inclinam em favor dos ricos, o fato é que apenas nossas empresas e famílias ricas se beneficiavam. O resto da população sofria. Em muitos casos isto levou à instabilidade política, ressentimento e à ascensão de várias formas de radicalismo e terrorismo.


"A realidade é meramente uma ilusão."


                                       Albert Einstein


Sabemos da física quântica e da teoria do caos que consciência, observação e mudanças na percepção possuem um impacto na realidade física que pode crescer exponencialmente.  A psicologia moderna ensina que a realidade percebida governa muito do comportamento humano. Religião, cultura, sistemas legais e econômicos (como, de resto, a maior parte das atividades humanas) são determinados pela realidade percebida. Quando um número suficiente de pessoas aceita estas percepções ou quando elas são codificadas em leis, possuem um imenso impacto na realidade objetiva.


Atividades humanas – individuais, comunitárias ou globais – são comandadas por este processo de alterar percepções humanas da realidade como meio de  alterar realidades objetivas. Um par de casos de empresas norte-americanas ilustra isto.


Caso 1: Ford Motor Company

Em 1914 a Realidade Objetiva de Henry Ford era: A) sua empresa vendia carros Modelo T que eram produzidos através do processo de linha de montagem por trabalhadores que recebiam salários padronizados irrisórios; e B) por que a linha de montagem era monótona e operários estavam sob muita pressão para reduzir o tempo de fabricação de um carro de 12 horas e meia para menos de 100 minutos, havia uma enorme taxa de desperdício na força de trabalho da empresa.


Então Ford percebeu uma nova realidade. Aumentou o salário de 2,34 dólares para uma jornada de nove horas para 5 dólares para uma de oito – isto num tempo em que todos os outros fabricantes de carros tentavam reduzir os salários de seu trabalhadores. Além de manter os operários em sua linha de montagem, Ford foi motivado por uma segunda percepção. Ele entendeu que a empresa, seus trabalhadores e os compradores vinham todos de uma mesma população e concluiu que "a menos que uma indústria consiga manter salários altos e preços baixos, ela destrói a si mesma – já que, de outra forma, limita o número de seus clientes." Ford percebeu que o aumento do poder aquisitivo de seus operários teria um efeito múltiplo, aumentando também o poder aquisitivo de muitos outros.


Caso 2: Adidas e outros varejistas

Realidade Objetiva 1: estas empresas criam calçados e vestimentas de luxo que são manufaturados por fábricas terceirizadas na China, no Vietnã e em outros países de sweatshops (*).

A Realidade Percebida por parte da administração destas empresas: A) terceirizar produção libera essas empresas de caras responsabilidades trabalhistas e minimiza salários; B) contratando atletas bem pagos para promover produtos equilibra a publicidade negativa gerada por ativistas que reivindicam melhor pagamento para trabalhadores em sweatshops; e C) estas políticas, que são diametralmente opostas às de Henry Ford, maximizam os lucros.

Realidade Objetiva 2: salários abaixo da linha de subsistência e condições de trabalho precárias em fábricas noutros continentes resultam em maior rotatividade de trabalhadores, doenças e publicidade negativa; B) Por impactar negativamente o crescimento econômico dos consumidores, estas políticas destroem oportunidades para novos mercados que resultariam se operários fossem pagos o suficiente para comprar os produtos que fazem, estimulando, ao mesmo tempo, o efeito multiplicador; e C) nem o lucro corporativo nem o crescimento econômico são maximizados em países em que estas fábricas estão localizadas.

Tive a oportunidade de sublinhar a diferença entre os dois casos acima quando uma rádio de Portland, Oregon (sede da Nike) me entrevistou. O âncora indagou "se você pudesse perguntar a Phil Knight, fundador da Nike, uma única questão, qual seria ?"

Não precisei pensar muito. "Olá Phil, por que você não segue o conselho de Henry Ford?" Continuei, "Imagine se, como parte de uma campanha publicitária internacional, esses atletas dissessem coisas como "Em vez de X milhões, eu e um punhado de amigos (outras celebridades Nike) tivéssemos concordado que a Nike nos pagasse Y a menos. Executivos da Nike concordaram com cortes similares. O dinheiro extra iria para o pagamento de maiores salários aos trabalhadores que fabricassem produtos Nike ao redor do mundo. Acreditamos que, apenas fazendo isto, ajudaríamos a fazer um mundo melhor e mais pacífico." Parei.

"Esta é uma ideia incrivel", disse o âncora.


Tive que acrescentar, "Como você acha que isto repercutiria nas vendas da Nike ? E nas do restante da indústria?"


"Tudo está na mente."


         George Harrison


Os dois exemplos acima ilustram como a Ponte da Percepção funciona. Há incontáveis outros. Que vão dos indivíduos às empresas e diretamente aos governos. Atividades humanas são determinadas pelos modos como percepções impactam a realidade física, tanto consciente como inconscientemente. Aqui está um exemplo dos impactos globais que uma realidade percebida nos anos 50 teve em cada geração subsequente em todo o mundo.


Caso 3: Políticas Governamentais dos EUA no Irã

Realidade Objetiva 1: A) Mohammed Mossadegh foi democraticamente eleito Primeiro Ministro do Irã em 1951; B) ele promoveu reformas progressistas incluindo seguridade social, controle dos aluguéis e reforma agrária; C) ele insistiu que empresas petrolíferas estrangeiras pagassem uma parte justa de seu lucro com o petróleo iraniano ao povo do Irã e quando uma delas, hoje conhecida como BP, resistiu, se dispôs a nacionalizar o petróleo.

Realidade Percebida: o governo dos EUA rotulou Mossadegh como comunista, marionete soviético e ameaça à democracia.


Realidade Objetiva 2: A) a CIA derrubou Mossadegh em 1953 e empossou o Xá, um ditador brutal pró-ocidente que “leiloou” o Irã para empresas estrangeiras, inclusive as petrolíferas; B) o descontentamento crescente levou à Revolução Iraniana de 1979; C) o Xá foi derrubado, o Aiatolá Khomeini assumiu o controle, 52 cidadãos e diplomatas dos EUA foram mantidos como reféns por 444 dias, e os EUA e países europeus romperam relações com o Irã e iniciaram sanções contra o mesmo; D) o militarismo islâmico se expandiu rapidamente pelo Oriente Médio nas décadas seguintes; e E) a região inteira foi devastada por guerras e instabilidade política; isto impactou relações entre países distantes do Oriente Médio, incluindo EUA, China, Rússia e grande parte da África e da Europa.

Imaginemos, por outro lado, o quão diferente a situação seria para o Irã, o Oriente Médio, os EUA e grande parte do mundo se a realidade percebida fosse diferente – algo como:

Realidade Percebida: o governo dos EUA apóia as políticas de Mossadegh e anuncia que somente comprará petróleo de empresas que paguem uma parte justa de seus lucros ao povo dos países de onde o extraiam.

A derrubada de Mossadegh pelos EUA resultou numa série de eventos trágicos que poderiam ser considerados danos colaterais. Em minha opinião, tais consequências ocorrem por que as pessoas que tomam decisões não entendem completamente a força da Ponte de Percepção.

Como consultor de empresas, governos, executivos e palestrante em programas de MBA e outros, descobri que dar uma boa, profunda olhada no impacto da realidade percebida na realidade objetiva é um dos mais eficientes processos que indivíduos, negócios e outras instituições podem empregar para atingir seus verdadeiros objetivos. Me espanto com o quanto das realidades percebidas nos negócios foram alteradas desde que eu estava na faculdade no fim dos anos 60.


Fui ensinado que um bom CEO ganha um retorno decente para seus investidores ao mesmo tempo em que garante que sua empresa seja um bom cidadão, i.e., que sirva ao interesse público. Apreendemos a cuidar de nossos empregados dando a eles seguro saúde e aposentadoria, a tratar nossos fornecedores e clientes com profundo respeito e a honrar a ideia de que bons negócios são um jogo de ganha-ganha para todas as partes interessadas. Em muitos casos, CEOs garantiam que suas empresas não apenas pagassem seus impostos justos mas que, além disso, contribuíssem com escolas locais, instalações recreativas e outros serviços.

Tudo isto mudou quando Milton Friedman ganhou, em 1976, o Prêmio Nobel de Economia e afirmou, entre outras coisas, que a única responsabilidade nos negócios era maximizar os lucros, independentemente de custos sociais e ambientais. Esta é uma realidade percebida que passou a definir os negócios. Ela convenceu os executivos corporativos de que eles teriam o direito – alguns diriam até a obrigação – de fazer tudo o que julgassem que maximizaria os lucros, incluindo comprar agentes públicos por meio do financiamento de campanhas políticas, destruir o meio ambiente e devastar todos os recursos dos quais seus negócios dependam.


Tal realidade percebida resultou num sistema econômico global falido, a um passo de consumir a si mesmo até a extinção – ao que alguns economistas chamam de Capitalismo Predatório.

É hora de inverter isto. Que tal:

Realidade Objetiva 1: as geleiras estão derretendo; os oceanos subindo; menos de 5% da população mundial vive nos EUA e consumimos cerca de 30% dos recursos enquanto metade da população mundial vive em pobreza; e a base de recursos que alimentam a economia está em rápido declínio.

Realidade Percebida: A) quando Milton Friedman formulou a maximização dos lucros em 1976, o capital financeiro era visto como escasso enquanto a natureza era considerada abundante, e a habilidade do planeta em absorver poluição e prover recursos naturais era considerada praticamente ilimitada. Desde então, isto mudou;  B) podemos construir uma economia que recompense negócios que limpem a poluição, regenere ambientes devastados e desenvolva novas tecnologias para energia, transporte,  comunicações, comércio e praticamente todo o resto – que recicle em vez de estragar o planeta; e C) a responsabilidade dos negócios é servir ao interesse público ao mesmo tempo em que ganha taxas decentes de retorno para investidores que desenvolvam uma economia como a definida em B) acima.

Realidade Objetiva 2) um sistema econômico que caminha para o desastre é convertido em um que é em si uma fonte renovável.


A história de sucesso dos humanos (como indivíduos e comunidades) gira em torno das relações entre realidade percebida e realidade objetiva. Neste momento crítico da história, é essencial que construamos Pontes de Percepção que nos levem a um mundo que gerações futuras queiram herdar. O entendimento de mudanças simples na percepção trazem alterações monumentais na realidade objetiva. Também achamos que criar um mundo melhor e não apenas possível, mas divertido e inspirador.

* * *

*(nota da tradução): a expressão intraduzível sweatshop (textualmente, oficina de suor) se refere a plantas industriais altamente insalubres existentes no sudeste asiático que produzem, a custos irrisórios (pois ignoram sistematicamente direitos trabalhistas e condições de trabalho), artigos comercializados a preços altos por grifes importantes em mercados afluentes. Um caso célebre ocorreu quando, anos atrás, a Nike ofereceu a seus clientes um calçado esportivo em cujo preço estaria incluído o bordado, junto à marca, de quaisquer palavras que os mesmos quisessem. Se aproveitando da brecha, dois compradores independentes pediram, então, que a empresa bordasse nos calçados, ao lado da marca Nike, a expressão sweatshop – ao que a empresa, é claro, se recusou, gerando, à época, importantes processos judiciais (bem ao gosto dos norte-americanos) nos quais consumidores lesados pela publicidade enganosa exigiam o cumprimento da promessa. Procurando um link que resumisse o caso, encontrei muitos, inclusive um texto de Elio Gaspari. Mas são tantos (inclusive do Guardian (aqui e aqui) e da wikipedia) que ficou difícil selecionar um só. Sugiro, então, aos mais curiosos, que digitem em qualquer buscador as palavras Nike, sweatshop e case. Vale a pena se inteirar da polêmica antes de comprar sua próxima peça de indumentária esportiva.


* * *



Como principal economista de uma grande firma de consultoria internacional, John Perkins assessorou o Banco Mundial, as Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional, o Departamento do Tesouro dos EUA, empresas das  500 maiores da revista Fortune e líderes de países da África, da Ásia, da América Latina e do Oriente Médio. Seu livro mais recente é The New Confessions of an Economic Hit Man (As Novas Confissões de um Assassino de Aluguel Econômico).



Fonte: impromptu.sul21.com.br


quarta-feira, 6 de março de 2019

É hora dos Estados Unidos invadirem os Estados Unidos


Por: Martín Pastor























Sob a égide da "ajuda humanitária" e da luta pela "democracia", os Estados Unidos justificaram dezenas de intervenções militares e políticas no mundo durante os séculos XX e XXI. Em sua campanha mais recente, eles se concentraram na Venezuela, como parte de uma estratégia para minar governos progressistas na região.


Com a manipulação da mídia coordenada, bloqueio econômico e pressão diplomática tendeu ofensiva imperialista contra a nação latino-americana por mais de uma década. Rotularam o governo venezuelano como uma "ditadura", apresentando-o como um "Estado falido" mergulhado no caos social, com altos índices de pobreza, desnutrição e insegurança; argumentando que a causa é o modelo progressivo e não fatores exógenos, como o bloqueio internacional ou o descrédito.

Para os Estados Unidos e grande parte do Ocidente, estes são motivos suficientes para justificar uma intervenção política e diplomática, que deve ser militar. Então, se estes são gatilhos para intervir, é hora de os Estados Unidos, em defesa dos direitos humanos e da democracia, tomarem a iniciativa de invadir seu próprio país.

A situação na América do Norte é altamente preocupante e classifica a nação como uma receptora adequada de "ajuda humanitária" feita nos EUA. De acordo com um relatório por Philip Alston , relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a pobreza extrema e direitos humanos revelou-se que até 2018, 40 milhões de pessoas no Estados Unidos vivem na pobreza, 18,5 milhões vivem em extrema pobreza e Mais de cinco milhões vivem em condições de absoluta pobreza.

O país tem a mais alta taxa de pobreza juvenil da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a maior taxa de mortalidade infantil entre os estados comparáveis ​​nesse grupo. Não é surpresa que Alston tenha considerado o país como a sociedade mais desigual do mundo desenvolvido.

Nem é que os Estados Unidos não podem mais ser chamados de nação de "primeiro mundo". Segundo um estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), para a maioria de seus cidadãos, aproximadamente 80% da população, os Estados Unidos são uma nação comparável ao "terceiro mundo".

Para chegar a essa conclusão, os economistas aplicaram o modelo de Arthur Lewis, vencedor do Prêmio Nobel de Economia (1979), projetado para entender quais fatores e como classificar um país em desenvolvimento.

De acordo com Peter Temin, co-autor do estudo, o Estados Unidos se reúne este modelo é uma economia dual (diferença única entre uma pequena parte da população e a grande maioria), onde o baixo - sector assalariado tem pouca influência sobre a política pública; um setor de alta renda mantém baixos salários no outro setor para fornecer mão de obra barata; um controle social que é usado para impedir que o setor de baixos salários desafie políticas que favoreçam o setor de alta renda; altas taxas de encarceramento; políticas públicas dos setores mais ricos com o objetivo de reduzir impostos para o referido grupo; e uma sociedade onde a mobilidade social e econômica é baixa.

Especialmente quando um dos principais argumentos para justificar as agressões é o suposto 'bem-estar' e os direitos humanos dos cidadãos. Mais uma vez, os americanos deveriam ver o "raio em seus próprios olhos" primeiro.

Segundo uma análise trienal do Commonwealth Fund (2017), os Estados Unidos, pela sexta vez consecutiva, são o pior sistema de saúde entre 11 países desenvolvidos. Eles têm o sistema de saúde mais caro do planeta, com um gasto anual de três bilhões de dólares, o que resultou em um dos países com maior disparidade no acesso à saudação, com base na renda.

Enquanto a expectativa de vida nos Estados Unidos diminuiu pelo terceiro ano consecutivo, situando-se em 78,1 anos. Uma redução percentual comparável ao período de 1915 e 1918, em que o país enfrentou uma guerra mundial e a pandemia mundial de gripe. Em comparação, Cuba, que faz parte da 'Troika of Tyranny', segundo John Bolton (Assessor de Segurança Nacional), tem uma expectativa de vida de 79,74 anos até 2018.

E na educação, o que falar. De 1990 a 2016, os Estados Unidos caíram do sexto para o vigésimo sétimo, classificando-se como um dos sistemas menos educados do mundo 'desenvolvido'. Com uma despesa pública reduzida, entre 2010 e 2014 de 3%, enquanto o investimento das economias desenvolvidas cresceu mais de 25%.

Um bem-estar de vida deteriorada, um sistema de saúde caro e desigual e uma educação que não se compara a outras nações desenvolvidas. Se isso não for suficiente para que o governo dos EUA e o resto do Ocidente decidam intervir, então as violações constantes dos direitos humanos devem ser uma causa para mobilizar tropas para a fronteira e iniciar bloqueios econômicos.

Os Estados Unidos têm dirigido ou influenciado sistematicamente as intervenções na América Latina e no resto do Sul global. Operações cobertas, guerras étnicas e as mais recentes invasões militares são a prova da 'licença para matar' que foi concedida a este país.

As prisões onde os direitos humanos são violados, como Guantánamo e Abu Ghraib, são apenas exemplos dessa realidade. E figuras como Gina Haspel, que estava diretamente envolvida no programa de tortura do governo dos EUA, subiram para posições de poder global como diretor da Agência Central de Inteligência (CIA).

Mas a transgressão mais clara é a separação do Conselho de Direitos Humanos da ONU, órgão internacional encarregado de assegurar que tais violações não ocorram. Uma decisão que veio dias depois do Alto Comissariado para os Direitos Humanos denunciou a prática atual do governo de separar à força crianças migrantes de seus pais e prendê-las, naquilo que só pode ser chamado de campos de concentração modernos.

Internamente, a responsabilidade da polícia pelo uso de força excessiva foi reduzida, especialmente nas comunidades negras e latinas. A morte sistemática de homens negros nos Estados Unidos por essa força de ordem, de acordo com um estudo da Universidade de Boston, reflete um racismo estrutural subjacente na sociedade americana; Isso também se reflete em um sistema de justiça tendencioso contra as comunidades negras.

"Se a polícia patrulhar as áreas brancas como fazem em bairros pobres negros, seria uma revolução", diz Paul Butler, autor de 'Chokehold: Policiamento homens negros', que diz o que significa ser um homem negro na América.

Essas violações dos direitos humanos são a realidade cotidiana das minorias étnicas e dos grupos historicamente discriminados. Isto é acompanhado pelo fortalecimento de grupos com tendências fascistas, que têm o apoio direto e indireto do governo central e local em vários estados. Um cenário preocupante para milhões de negros, latinos e outros cidadãos étnicos.

No entanto, a falsa "preocupação" com a Venezuela, Líbia, Síria, Iraque, Iêmen, Afeganistão e Ucrânia, somente nessas últimas duas décadas, tem guiado invasões e agressões em nome do bem-estar e dos direitos humanos. Ações que por sua vez carregam interesses ocultos baseados em um indicador no qual os Estados Unidos são sim o número um: gastos militares.

Até 2019, este país tem um orçamento militar de mais de 680 bilhões de dólares, mais do que os orçamentos combinados das sete nações que o seguem: China, Rússia, Arábia Saudita, Índia, França, Reino Unido e Japão.

Nem mesmo na liberdade econômica (12 no mundo) são líderes ou crescimento do PIB (147 de 224 países); o que reflete uma realidade. Os Estados Unidos são um império militar, sua economia é baseada na guerra e nenhuma ação tomada em nome da "ajuda humanitária" tem coerência quando o interesse de seu governo é promover o caos em seu benefício.

Diante dessa situação, o que o mundo está experimentando é o "chute de afogamento" de uma superpotência em declínio. É por isso que ele se esforça tanto para se agarrar ao último bastião de influência que permanece na América Latina, em conseqüência de sua fixação com a Venezuela e outras nações da região. Pois, se fosse uma ajuda real, é hora de os Estados Unidos analisarem seriamente a intervenção, com a mesma intensidade, em seu próprio país.

                                           (Tomado de Rebelión)


Fonte: cubadebate.cu

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Um tribunal dos EUA decidiu inconstitucional que os políticos bloqueiem os críticos nas redes sociais

A decisão pode afetar o apelo do presidente Donald Trump em uma decisão semelhante em maio do ano passado.


Um juiz proibiu os políticos de bloquear seus críticos nas redes sociais (Foto: Twitter)






Um tribunal federal de apelações disse na segunda-feira (7) que um político do estado da Virgínia violou a Constituição bloqueando temporariamente um crítico de sua página no Facebook, uma decisão que poderia afetar o apelo do presidente Donald Trump a  uma decisão semelhante em Nova York.

Em uma decisão unânime (3-0), o Tribunal disse que Phyllis Randall, presidente do Conselho de Supervisores Loudoun County, violou os direitos de Brian Davison à liberdade de expressão da Primeira Emenda para proibir a entrada por 12 horas à sua página "Presidente Phyllis J. Randall".

A proibição veio depois de Davison participar de uma reunião na prefeitura em 2016, então sob o seu perfil no Facebook, "Virginia PEC", acusou membros do conselho escolar e sua família de corrupção e conflitos de interesse. Randall também havia removido seu post original e todos os comentários, incluindo o de Davison .

Juiz James Wynn rejeitou o argumento de Randall que sua página no Facebook era um site privado, dizendo que o "componente interativo" foi um fórum público e, em seguida, bloqueando uma pessoa foi um ato discriminatório contra outros pontos de vista.

A opinião de Davison "ocupa o centro de proteção oferecido pela Primeira Emenda", escreveu Wynn.


A decisão do Tribunal de Apelações baseado em Richmond, Virgínia, confirmou a decisão do juiz James Cacheris na cidade de Alexandria em 2017.


A decisão pode afetar o apelo do presidente Donald Trump de uma decisão semelhante em Nova York



Katie Fallow, advogada do Knight First Amendment Institute da Universidade de Columbia, que representou Davison, disse que funcionários do governo "não têm mais direito de reprimir a dissidência on-line do que a off-line".

Enquanto outros tribunais inferiores discordam sobre se as páginas de mídia social dos funcionários do governo são fóruns públicos, o caso de Davison foi o primeiro do tipo no nível de apelação federal, e outros tribunais podem citá-lo como precedente.

Trump pediu ao Tribunal de Apelações em Manhattan para reverter a decisão da juíza Naomi Reice Buchwald em maio do ano passado de que ela não poderia bloquear os críticos do Twitter de sua conta @RealDonaldTrump.

O Departamento de Justiça, que representa Trump, argumenta que a decisão de Buchwald foi "fundamentalmente falha", já que  o presidente usa a conta do Twitter em uma capacidade pessoal de divulgar seus pontos de vista, não para fornecer uma plataforma para o debate público, e não ele é obrigado pela Primeira Emenda a receber mensagens que ele não quer ouvir .


Fonte: www.infobae.com

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

'CONSTRUIR WALLIES, NÃO MUROS' TEM OBJETIVO NAS POLÍTICAS DE IMIGRAÇÃO DO PRESIDENTE TRUMP

Um grupo de skatistas holandeses criaram e dão dicas de como criar um wallie com os bracinhos do Trump que se mexem a cada manobra.
Risadas a parte, mas o projeto é sério e se chama 'Wallies Not Walls'.
Através dos wallies chamam a atenção para a xenofobia, autoritarismo e noeliberalismo desalmado de Donald Trump que culminam na construção de muros, os quais são um problema também em outras partes do mundo, como denunciam no seu site que tem o link no final da matéria.



No THE BERRICS





Direto da Holanda vem um comentário político com um toque de DIY. "Build Wallies, Not Walls" é o primeiro vídeo do projeto "Wallies Not Walls", transmitindo a mensagem de que ricos, pobres, americanos ou quaisquer outros... somos todos da mesma cor por dentro, cara.

Temos que dizer que a criatividade é realmente impressionante. O chyron ao longo do vídeo tem um monte de pequenas piadas de skate com um ângulo totalitário. Muitos LOLs aqui, mas a mensagem fica um pouco confusa (um tempo de execução de 4:20... Trump é um maconheiro, ou talvez ele esteja contra a legalização da maconha?).

Os skatistas holandeses (com quem já trabalhamos no passado para um projeto Bombaklats) Rob Maatman, Robbin de Wit, Remo Stolze e muitos outros, aparecem no vídeo. Aqui está a descrição da página do YouTube "Build Wallies, Not Walls":

"Fronteiras fechadas são discriminação com base na localização. Se você nasceu do lado errado do muro, suas chances de proporcionar um padrão de vida decente para você são menores. Com a crescente quantidade de fronteiras fechadas desde o século passado, a diferença global entre ricos e pobres aumentou exponencialmente. Essa desigualdade levou as pessoas a procurarem melhores oportunidades em outros lugares. Por que não dar a essas pessoas as mesmas chances que recebemos? Estamos todos vermelhos por dentro."

Visite o site Wallies Not Walls para mais informações sobre este projeto.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Noam Chomsky: Chicago Boys, como Paulo Guedes, destroem a economia por onde passam



Imagem baraodeitarare.org.br

















Tratado pelo monopólio midiático como um trunfo de Jair Bolsonaro em relação a setores do mercado receosos com a agressividade e os excessos do candidato da ultradireita, Paulo Guedes, assessor econômico do capitão reformado, carrega consigo a fama de ser expoente dos Chicago Boys. Para o linguista e filósofo estadunidense Noam Chosmky, isso está longe de ser algo positivo, pois sintetiza o que há de pior no neoliberalismo.

Texto e foto por Felipe Bianchi

*Atualizada às 16h22 do dia 18 de setembro de 2018



Em coletiva realizada na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, nesta segunda-feira (17), em São Paulo, o intelectual norte-americano recordou o legado da escola de pensamento econômico da Universidade de Chicago ao continente. "Muitos economistas latino-americanos foram estudar nesta escola. Os Chicago Boys fizeram da América Latina um laboratório de experiências, como na ditadura de Augusto Pinochet, no Chile", disse.

Responsáveis pelo modelo econômico imposto na região durante a onda de sangrentas ditaduras militares das décadas de 1960 e 1970, os Chicago Boys foram o braço econômico do controle exercido por Washington nos regimes autoritários que deixaram milhares de mortos e desaparecidos em países como o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o próprio Chile.

Pior que isso, Chomsky alerta: "Por onde passaram, os Chicago Boys destruíram a economia. E Paulo Guedes, economista de Bolsonaro", acrescenta o intelectual, "é um Chicago Boy". O guru econômico de Bolsonaro chegou a ser convidado para lecionar na Universidade do Chile no auge da ditadura. Para se ter ideia, o próprio jornal O Globo, histórico defensor de pautas liberais na economia, classificou os Chicago Boys como "sinônimo de recessão na América Latina", em artigo publicado no ano de 2015. Vanguarda do pensamento econômico antipopular, os Chicago Boys chilenos anteciparam, sob a tutela de Pinochet, medidas que Margaret Thatcher, "a donzela de ferro", só viria a tomar uma década depois, na Inglaterra.

Citado em decisão judicial como beneficiário de fraude milionária contra um fundo do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na bolsa de valores, o guru econômico de Bolsonaro também é fundador do Instituto Millenium. Criado em 2006, o grupo reuniu banqueiros, industriais e barões da mídia para produzir e disseminar, em bloco, uma cartilha retrógrada para a economia e a sociedade.

Chomsky no Brasil

Em sua passagem pelo Brasil, Noam Chomsky participou, na sexta-feira (14), do Seminário Ameaças à Democracia e a Ordem Multipolar, realizado pela Fundação Perseu Abramo. Nesta segunda (17), o intelectual falou sobre o cenário político brasileiro, os rumos da democracia e o papel dos meios de comunicação na disputa política.

Assista na íntegra:







quarta-feira, 28 de novembro de 2018

6 razões pelas quais a privatização frequentemente terminam em desastre

Público bate privado em quase todos os sentidos.

Por Paul Buchheit/ AlterNet


Os sistemas privados estão focados em gerar lucros para algumas pessoas bem posicionadas. Os sistemas públicos, quando suficientemente apoiados pelos impostos, funcionam para todos de uma maneira geralmente equitativa. 


A seguir estão seis razões específicas pelas quais a privatização simplesmente não funciona. 



Crédito da foto: Shutterstock.com/durantelallera



















1. A Motivação pelo Lucro Move a Maior Parte do Dinheiro para o Topo

O Administrador federal do Medicare fez US $170.000 em 2010. O presidente do MD Anderson Cancer Center no Texas fez mais de dez vezes mais em 2012. Stephen J. Hemsley, CEO da United Health Group, fez quase 300 vezes mais em um ano, $48 milhões, a maior parte em ações da empresa.

Em parte devido a essas desigualdades na compensação, nosso sistema privado de saúde é o sistema mais caro do mundo desenvolvido. O preço das cirurgias comuns é de três a dez vezes maior nos EUA do que na Grã-Bretanha, no Canadá, na França ou na Alemanha. Dois dos exemplos documentados: um teste de estresse especial de $8.000 para o qual o Medicare teria pago US $ 554; e uma operação de bexiga de $60.000, para a qual uma companhia de seguros privada estava disposta a pagar $2.000. 

O Medicare, por outro lado, que é em grande parte sem o lucro e as fontes concorrentes de faturamento, é eficientemente executado, para todos os americanos elegíveis. Segundo o Council for Affordable Health Insurance e outras fontes, os custos administrativos médicos são muito maiores para o seguro privado do que para o Medicare. 

Mas os privatizadores continuam invadindo o setor público. Nosso governo  reembolsa os CEOs de empreiteiros privados em uma taxa aproximadamente o dobro do que pagamos ao Presidente. No geral, pagamos aos chefes corporativos mais de $7 bilhões por ano. 


Muitos americanos não percebem que a privatização da Seguridade Social e do Medicare transfere grande parte do nosso dinheiro para outro grupo de CEOs. 


2. Privatização serve pessoas com dinheiro, o setor público serve a todos

Um bom exemplo é o Serviço Postal dos EUA (USPS), que é legalmente exigido para servir todas as casas do país. A Fedex e a United Parcel Service (UPS) não podem atender a locais não rentáveis. No entanto, o USPS é muito mais barato para pacotes pequenos. Uma comparação on-line revelou o seguinte para a remessa de dois dias de um envelope de tamanho semelhante para outro estado: 

- USPS 2 dias $5,68 (46 centavos sem a restrição de 2 dias) 
- FedEx 2 dias $19,28 
- UPS 2 dias $24,09 

O USPS é tão barato, na verdade, que a Fedex realmente usa os US Post Office para cerca de 30% de suas remessas terrestres. 

Outro exemplo é a educação. Na recente ProPublica, um relatório descobriu que, nos últimos vinte anos, as faculdades estaduais de quatro anos têm servido uma parcela cada vez menor dos estudantes de renda mais baixa do país. No nível K-12, as estratégias de negócios que economizam custos se aplicam à privatização da educação de nossos filhos. As escolas charter[escola independente financiada por fundos públicos criada por professores, pais ou grupos comunitários sob os termos de uma carta com uma autoridade local ou nacional] são menos propensas a aceitar alunos com deficiências. Professores da charter têm menos anos de experiência e uma maior taxa de rotatividade. Cargos que não são professores têm planos de aposentadoria e seguro de saúde insuficientes e salários muito mais baixos. 


Finalmente, no que diz respeito aos cuidados de saúde, 43 por cento dos americanos doentes ignoraram as visitas ao médico e/ou as compras de medicamentos em 2011 devido a custos excessivos. É estimado que mais de 40.000 americanos morrem a cada ano porque não podem pagar pelo seguro de saúde.


3. Privatização transforma necessidades humanas essenciais em produtos

Grandes empresas gostariam de privatizar nossa água. Um economista do Citigroup exultou:"A água como uma classe de ativos será, a meu ver, a única classe de ativos baseada em commodities físicas mais importante, superando petróleo, cobre, commodities agrícolas e metais preciosos". 

Eles querem nossa terra federal. Tentativas de privatização foram feitas pela administração Reagan na década de 1980 e pelo Congresso controlado pelos republicanos na década de 1990. Em 2006, o presidente Bush propôs o leilão de 300.000 acres de floresta nacional em 41 estados. Paul Ryan's O caminho para a prosperidade foi baseado em parte na "Lei de Descarte de Terras Excessivas de 2011" do republicano Jason Chaffetz, que descarregaria milhões de acres de terra no oeste dos Estados Unidos. 

Eles querem nossas cidades. Um especialista em privatização disse ao Detroit Free Press que o dinheiro real está em ativos urbanos com um "fluxo de receita". Assim, o recurso mais valioso de Detroit, seu Departamento de Água e Esgoto (DWSD), é a garantia de um empréstimo de $350 milhões para pagar os bancos que cuidam do litígio. A Bloomberg estima um custo de quase meio bilhão de dólares, em uma cidade onde os proprietários mal podem pagar pelos serviços de água. 


E eles querem nossos corpos. Um quinto do genoma humano é de propriedade privada através de patentes. As cepas de gripe e hepatite foram reivindicadas  por laboratórios corporativos e universitários e, por causa disso, os pesquisadores não podem usar as formas de vida patenteadas para realizar pesquisas sobre o câncer.


4. Sistemas públicos promovem uma forte classe média

Parte da mitologia do livre mercado é que os funcionários públicos e os trabalhadores sindicalizados são gananciosos, desfrutando de benefícios que os trabalhadores médios do setor privado são negados. Mas os fatos mostram que o governo e os trabalhadores sindicalizados não são pagos em excesso. De acordo com o Census Bureau, os funcionários do governo estadual e local representam 14,5% da força de trabalho dos EUA e recebem 14,3% da remuneração total. Os membros do sindicato representam cerca de 12% da força de trabalho, mas seu pagamento total  é de apenas 10% renda bruta ajustada conforme reportado ao IRS. 


O trabalhador médio do setor privado faz aproximadamente o mesmo salário que um trabalhador do governo estadual ou local. Mas o salário médio para os trabalhadores dos EUA, 83% dos quais no setor privado, foi de $18.000 a menos em 2009, com $26.261. A desigualdade é muito mais difundida no setor privado. 


5. O setor privado tem incentivo para fracassar ou não incentiva de forma alguma


O incentivo mais óbvio para fracassar é a indústria privada de prisões. Alguém poderia pensar que é um objetivo digno de reabilitar prisioneiros e gradualmente esvaziar as prisões. Mas o negócio é bom demais. Com cada prisioneiro gerando até $40.000 por ano em receita, o número de presos em instalações privadas  aumentou de 1990 a 2009 em mais de 1600%, de cerca de 7.000 para mais de 125.000 presos. A Corrections Corporation of America recentemente ofereceu-se para administrar o sistema prisional em qualquer estado disposto a garantir que as prisões fiquem 90% cheias. 

Nem os privatizadores têm incentivo para manter a infraestrutura. David Cay Johnston descreve a deterioração do estado da fundação estrutural dos EUA, com redes e dutos negligenciados por indústrias monopolistas que cortam custos em vez de fornecer manutenção. Enquanto isso, elas alcançam margens de lucro de mais de 50%, oito vezes a média corporativa. 

Quanto à segurança pública, sinais de alerta sobre a privatização desregulada estão se tornando mais claros e mais mortais. A fábrica de fertilizantes do Texas, onde 14 pessoas foram mortas em uma explosão e incêndio, foi inspecionada pela última vez pela Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) há mais de 25 anos. O Serviço Florestal dos EUA, chocado com o incêndio de Prescott, no Arizona, que matou 19 pessoas, foi forçado pelo  sequestro a cortar 500 bombeiros. O desastre ferroviário em Lac-Megantic, Quebec, seguiu a desregulamentação das ferrovias canadenses. No outro extremo está o setor público, e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA), que resgatou centenas de pessoas após o furacão Sandy, enquanto servia a milhões de pessoas com refeições e água. 

A falta de incentivo privado para a melhoria humana é evidente em todo o mundo. O Serviço Mundial de Educação contra a Fome afirma que "os sistemas econômicos nocivos são a principal causa da pobreza e da fome". E de acordo com Nicholas Stern, economista-chefe do Banco Mundial, a mudança climática é "a maior falha de mercado que o mundo já viu". 


6. Com os sistemas públicos, não precisamos escutar as reclamações da "iniciativa individual" 

Nos anos Reagan, uma afirmação impressionante foi feita por Margaret Thatcher:"Não existe tal coisa como sociedade. Há homens e mulheres individuais, e há famílias". Mais recentemente, Paul Ryan reclamou que o apoio do governo "drena a iniciativa individual e a responsabilidade pessoal". 

Isso é fácil de dizer para pessoas com bons empregos.

Iniciativa individual? Nossa infra-estrutura de comunicações com suporte público permite que os 10% mais ricos dos americanos manipulem seus 80% de participação no mercado de ações. Os CEOs dependem de estradas, portos marítimos e aeroportos para enviar seus produtos, a FAA e a TSA e a Guarda Costeira e o Departamento de Transporte para salvaguardá-los, uma rede de energia nacional para alimentar suas fábricas e torres de comunicações e satélites para conduzir negócios on-line. Talvez o mais importante para os negócios, mesmo quando se concentra em lucros de curto prazo, seja a pesquisa básica de longo prazo, que é em grande parte conduzida com dinheiro do governo. A partir de 2009, as universidades ainda recebiam dez vezes mais financiamento de ciência e engenharia do governo do que da indústria.

Público bate privado em quase todos os sentidos. Apenas o exagero da mídia do livre mercado faz com que grande parte da América acredite que o "vencedor leva tudo" é preferível ao trabalho conjunto como comunidade.


Fonte: alternet.org


P.S - Encontra-se no artigo original em inglês uma infinidade de liks com as devidas citações.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Mulher, te imploro! Vire esse jogo!!

Quero me dirigir às mais de 77.000.000 de eleitoras do meu, do nosso país. Vocês são mais do que 50% mais 1 do nosso eleitorado e têm em suas mãos o poder de decidirem uma eleição.

Acompanho atônito em minha cidade onde nasci e cresci duas mulheres uma eleita deputada federal e outra estadual, com recordes de votos. Atônito não porque são mulheres e conseguiram esse feito, mas sim pelo fato de fazerem oposição a um candidato que defende e valoriza as mulheres e posição a outro que votou contra a Lei das Domésticas, insulta mulheres, troca de parceiras quando envelhecem, se posiciona contra Licença-maternidade e ainda afirma que a mulher mesmo exercendo a mesma função de um homem deve ganhar menos.

Mulheres de todas as épocas sofreram e até morreram para que as mulheres de hoje tenham sua liberdade, inclusive na hora do voto. E é pela entrega dessas mulheres que peço o seu voto.
Te peço mulher que não apague essa chama e dê as costas para todos as conquistas.
Vou mais longe ainda, porque sei que tristemente há quem vote em quem a desvaloriza pela imposição de um marido, de um líder religioso ou até mesmo de um grupo de "amigos". 

O voto é livre, a democracia a todos isso garante e devem ser respeitadas as escolhas de cada um e assim deve ser para sempre.

É pela morte de Emily Davison (1872-1913), pelas prisões de  Emmeline Pankhurst (1858-1928), pelas greves de fome das sufragistas presas e humilhadas e tantas outras ao longo da história as quais sou incapaz de citar todos os nomes que suplico o seu voto.

Porque elas como você mulher também lutaram contra algum tipo de fascismo.